A Fisioterapia Veterinária (FV) é uma profissão que usa as várias técnicas terapêuticas usadas em Fisioterapia humana nos animais, adaptando-as à sua fisiologia e ao seu contexto. Estas técnicas incluem terapias manuais, electroterapia/agentes físicos (frio, calor, pressão), exercício terapêutico, adaptação do ambiente e ensino do paciente ou do seu cuidador.

A FV não pretende substituir os cuidados do médico veterinário, do enfermeiro veterinário, do ferrador, do treinador, do osteopata, entre outros profissionais do contexto animal. Defende-se o trabalho em equipa e a colaboração dos vários profissionais para o bem do paciente e dos seus cuidadores.

A minha paixão e o fio condutor do meu trabalho, tanto em humanos como animais, é o estilo de vida e a promoção da saúde. Acredito que o conhecimento e os pequenos hábitos repetidos consistentemente são muitas vezes mais poderosos que grandes intervenções pontuais.

Na minha forma de ver a profissão, o ensino ao paciente, e sobretudo ao seu dono ou cuidador, é talvez a principal componente do tratamento em FV. Dar ferramentas ao dono de um animal para que este saiba identificar sinais de alarme, prevenir lesões e ajudar a recuperar destas é fundamental e um dos maiores benefícios da Fisioterapia.

Nesta linha de raciocínio, a FV pode e deve ser utilizada como meio de promoção da saúde e prevenção de lesão, para além do porventura mais óbvio tratamento de lesões.

Dessa forma, a FV não é necessariamente uma abordagem dispendiosa e totalmente dependente da presença e intervenção do profissional depois das primeiras abordagens. Os cuidados ensinados ao dono representam um papel de suma importância na recuperação do animal, e muitas vezes ajudam a que o peso financeiro deste processo diminua.

Em termos de formação, a FV é uma “área cinzenta” entre o mundo da veterinária e o da fisioterapia. Há profissionais vindos de ambas as áreas e todos merecem respeito e consideração. Isto não significa que esta seja uma profissão para a qual baste um pequeno curso com algumas noções de uma área ou da outra. O estudo aprofundado da aplicação da fisioterapia em animais é fundamental, e a adequada qualificação dos profissionais dedicados a esta área é essencial e deveria ser sempre exigida pelo cliente. Só desta forma asseguramos a qualidade na prestação de cuidados em FV.

O meu percurso profissional começou com fisioterapia. Isto a meu ver é interessante pela constante influência dos conhecimentos, técnicas e conceitos em fisioterapia humana e da evolução desta, que naturalmente está mais avançada que a FV. As áreas mais relacionadas com a veterinária, como a anatomia animal, a biomecânica da quadrupedia, a patologia, o comportamento e o maneio animal foram desenvolvidas mais tarde durante a pós-graduação e o mestrado.

A intervenção em FV não dispensa uma avaliação e/ou consentimento prévios do médico veterinário, no principal interesse do paciente e do dono. É mais seguro para todos saber se há patologia prévia, precauções ou contraindicações a ter em conta, bem como a história médica e medicação do paciente.

A minha formação em FV abrange grandes e pequenos animais. Apesar de em ambos se aplicar um raciocínio biomecânico semelhante, existem diferenças anatómicas, de patologia e de contexto muito interessantes. Uma das mais óbvias é a dinâmica cavalo-cavaleiro, na qual como fisioterapeuta de humanos e animais me permite uma intervenção mais completa. No entanto, ambas as áreas dentro da FV me fascinam.

Por fim, uma boa comunicação e respeito mútuo entre profissionais, e entre estes e o dono do animal, é imprescindível para um óptimo processo terapêutico.