A minha história…

A primeira vez que me apercebi da minha vocação e do que queria para o meu futuro aconteceu quando tinha 14 anos. Lembro-me que numa composição sobre o velho tema “o que quero ser quando for grande” comecei por dizer que gostava de ser fisioterapeuta. Esta parte não é estranha, uma vez que praticamente cresci numa clínica, a brincar entre o material de treino de equilíbrio e os aparelhos de laser e ultra-som. Mas ao longo da composição que escrevia fui-me apercebendo que estava a ignorar uma parte importante: eu gostava de cuidar de animais. Não exactamente da perspectiva da medicina veterinária, mas antes algo que por um lado fosse mais prático, mais “mão na massa” mas sem grande risco de enfrentar situações de vida ou morte dos pacientes. Assim a conclusão natural foi Fisioterapia Veterinária. Na altura esta vertente da fisioterapia existia muito pouco. Alguns fisioterapeutas tratavam cães e cavalos de vez em quando (certamente alguns profissionais no meio veterinário também fariam algumas incursões pela reabilitação), mas não era uma profissão.

Mais tarde, na fase de escolher o curso, as grandes opções era fisioterapia ou medicina veterinária. Eu sabia onde queria chegar, mas tinha que começar por algum lado. Mais uma vez pesou o factor de precisar de uma profissão prática, numa esfera que não atingisse casos de vida ou morte, mas que ainda assim pudesse fazer toda a diferença na qualidade de vida dos pacientes. Assim descobri a essência da minha vocação. Acabei a licenciatura em fisioterapia pela Escola Superior de Saúde de Alcoitão em 2011.

O curso de fisioterapia abriu-me os horizontes para muitas áreas nas quais gostava de trabalhar, entre as quais a neurologia, a terapia manual e o exercício terapêutico. Mas o que me apaixonou mais no curso foi o raciocínio clínico, a forma como todas as peças do puzzle encaixam: a anatomia, a biomecânica, a patologia e a maravilhosa variedade de reacções que cada corpo tem aos problemas, à terapia, ao exercício.

Quando comecei a exercer fisioterapia em contexto clínico, fizeram-me um desafio. Comecei a praticar GYROTONIC® e a explorar o seu potencial no contexto da fisioterapia. Seguiram-se alguns anos em que me tornei instrutora, viajei pelo mundo, aprendi com profissionais de várias áreas e desenvolvi a minha carreira nesta direcção. Desde 2012 dou aulas de GYROTONIC® e integro essa prática no contexto da fisioterapia, especialmente em casos de correcção postural, de reaprendizagem motora e promoção da saúde.

À medida que a minha prática profissional se foi desenvolvendo, fui apurando as capacidades de prescrição de exercício e outras técnicas de fisioterapia – alongamento terapêutico, terapia manual, facilitação de movimento, controlo motor – nos mais variados contextos, inclusive no meu próprio corpo. Aí começou um processo em que trabalhei a minha postura, os meus movimentos e fiz por experienciar aquilo que exigia e aconselhava aos meus pacientes. Neste contexto fiz a formação em GYROKINESIS®, uma forma de exercício com os mesmos princípios do GYROTONIC® mas praticada de forma semelhante ao yoga, isto é, sem máquinas, pesos, alavancas ou referências externas.

Contudo, a vocação e a missão descobertas aos 14 anos ainda não estavam totalmente cumpridas. Nessa fase eu tinha várias opções, que iam desde a aprendizagem mais auto-didacta, com o apoio de profissionais de Veterinária e Zootecnia que aceitassem uma estagiária “diferente” até a formação académica e profissional formal. Confesso que foi extremamente importante passar por ambas, até porque a primeira foi uma condição exigida para a segunda. Durante o ano de 2013 passei por algumas experiências de maneio e trabalho com animais, incluindo pequenos animais – cães, gatos, coelhos – cavalos, e surpreendentemente, vacas.

Nesse mesmo ano fui aceite e ingressei na pós-graduação em Fisioterapia Veterinária na Harper Adams University, no Reino Unido. Foram dois anos de trabalho intenso e experiências muito enriquecedoras, junto de um grupo fantástico de profissionais vindos de várias áreas e com muitos conhecimentos para partilhar. Nesta fase eu estava a trabalhar em Lisboa e a tirar o curso em Inglaterra, ao ritmo de um ou dois fins-de-semana por mês e muito trabalho de casa.

Contudo, a vocação e a missão descobertas aos 14 anos ainda não estavam totalmente cumpridas. Nessa fase eu tinha várias opções, que iam desde a aprendizagem mais auto-didacta, com o apoio de profissionais de Veterinária e Zootecnia que aceitassem uma estagiária “diferente” até a formação académica e profissional formal. Confesso que foi extremamente importante passar por ambas, até porque a primeira foi uma condição exigida para a segunda. Durante o ano de 2013 passei por algumas experiências de maneio e trabalho com animais, incluindo pequenos animais – cães, gatos, coelhos – cavalos, e surpreendentemente, vacas.

Nesse mesmo ano fui aceite e ingressei na pós-graduação em Fisioterapia Veterinária na Harper Adams University, no Reino Unido. Foram dois anos de trabalho intenso e experiências muito enriquecedoras, junto de um grupo fantástico de profissionais vindos de várias áreas e com muitos conhecimentos para partilhar. Nesta fase eu estava a trabalhar em Lisboa e a tirar o curso em Inglaterra, ao ritmo de um ou dois fins-de-semana por mês e muito trabalho de casa.

Durante esta pós-graduação voltei a explorar o mundo da anatomia e da biomecânica, desta vez aplicados a animais, assim como a patologia, o raciocínio e a intervenção clínica em vários contextos, comportamento e maneio animal. Apesar de ser um curso muito prático e com muitas horas de clínica, foi academicamente muito rico e exigente.

Esta vertente académica acabou por ser uma nova paixão, que conduziu à vontade de fazer investigação nesta área. Em 2016 concluí o mestrado em Fisioterapia Veterinária com uma investigação sobre os efeitos da massagem na dor em cavalos montados, medida ao longo do tempo.

Durante os anos deste último curso, mantive sempre a prática de fisioterapia humana, que naturalmente teve algo a ganhar com os novos conceitos adquiridos. Há muitas coisas em comum na fisiologia humana e dos animais tratados em fisioterapia, e o cruzamento de conceitos de ambas as áreas ajuda muito a pensar “fora da caixa”, além do que é óbvio.

Desde 2015, quando concluí a pós-graduação e passei a poder exercer Fisioterapia Veterinária, comecei a tratar alguns animais, e muito lentamente a angariar os primeiros clientes. Comecei também a desenvolver alguns projectos de trabalho com o binómio cavalo-cavaleiro, no qual é muitíssimo interessante intervir tanto na perspectiva da fisioterapia humana como na veterinária.

Desde que me licenciei, e certamente que o farei durante toda a vida profissional, tenho vindo a actualizar e aprofundar os meus conhecimentos nas três principais áreas da minha carreira – Fisioterapia humana, GYROTONIC® e Fisioterapia Veterinária – o que torna o meu percurso dinâmico e transversal a várias áreas, que vão sempre “aprendendo” umas com as outras.

É esta a minha história profissional. A minha paixão é o movimento, em todas as suas vertentes. A minha missão é promover a saúde dos meus pacientes, ajudá-los a atingir os seus objectivos e o seu propósito, e dar-lhes mais qualidade de vida, andem eles sobre duas, três ou quatro patas.